
Como tantas outras mulheres, Dani começou a colaborar para as atividades criminosas do namorado e acabou presa. Hoje, coordenadora do Segunda Chance, já viajou para a Espanha e pretende se formar em breve.
Filha de pai militar, Daniela Pereira da Silva morou em muitos lugares até assentar em Copacabana. No clássico bairro da zona sul, com 15 anos a moça se apaixonou. Estrelinhas e borboletas no estômago fizeram Dani perdoar os meses de mentira do seu namorado. Na verdade, ele estava foragido e totalmente envolvido com roubos e tráfico, no morro e no asfalto. “Aquele não era um mundo que eu conhecesse, mas eu estava apaixonada e tinha a sensação de que morreria sem ele”.
A jovem mentia 24h por dia para evitar que a família soubesse o que estava acontecendo. “Eu não conseguia entender o tamanho que aquilo tinha até que meu pai pediu uma transferência para me tirar do Rio e eu não fui. E aí não teve mais jeito”. Ela então conheceu o glamour e os perigos do crime. Fez viagens e ganhou presentes, mas chegou a ser baleada ao presenciar uma briga do marido com outros parceiros. Após ser presa em 2007, Dani teve três anos para decidir que, com o seu livramento condicional, continuaria sendo mulher, mas não mais companheira do marido nos processos dele.
Foi assistindo a uma matéria sobre o AfroReggae na televisão que decidiu que seria nisso que dedicaria toda a sua vontade de mudar. De recepcionista, Dani virou supervisora, secretária geral e agora está na coordenação do Segunda Chance. “Somos uma agência de empregos composta apenas por ex-presidiários. Então o que falamos para as pessoas que atendemos tem a credibilidade da nossa trajetória. E fazemos isso com muito amor”. Este é a paixão para a qual Dani se dedica hoje.
O caminho dela, no entanto, vai muito além e funciona como um exemplo para quem está começando. Após receber um induto, ela não deve mais nada à Justiça e chegou a morar um mês na Espanha e estudar o idioma através de uma parceria do AfroReggae com o Santander Universidades. “O AfroReggae teve uma importância primordial para mim. Além do trabalho e dos estudos, ele me blindou dos medos”. E ela quer mais. “Eu diria que atingi 60% das minhas metas. Mas ainda quero me formar e construir um futuro ainda melhor para o meu filho, que hoje mora comigo”. Assim seja.
Dani como é chamada por nós é o exemplo claro de um destino traçado por muitas jovens negras no Brasil, ela conseguiu se transformar e mostrar pra todos que nós decidimos onde queremos e onde vamos chegar.
(Fonte: Grupo Cultural AfroReggae)

Daniela Silva: "Trabalho para quebrar preconceitos e viver em paz"